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Checklist dos Sarcophagidae (Insecta,Diptera) do Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil

Checklist of Sarcophagidae (Insecta, Diptera) from Mato Grosso do Sul State, Brazil

RESUMO

Sarcophagidae (Insecta, Diptera) é a segunda maior família de dípteros caliptrados da superfamília Oestroidea em riqueza de espécies. Suas fêmeas são larvíparas e as larvas possuem hábitos diversos, principalmente saprófago/necrófago. Uma lista atualizada com 26 espécies de sarcofagídeos com ocorrência registrada na literatura para o Estado do Mato Grosso do Sul é fornecida. A distribuição registrada por município e as respectivas referências são também dadas.

PALAVRAS-CHAVE
Mosca-da-carne; biodiversidade; distribuição; centro-oeste; Programa Biota-MS

ABSTRACT

Sarcophagidae (Insecta, Diptera) is the second largest family of calyptrate flies of the superfamily Oestroidea in species richness. Their females are larviparous and larvae have diverse habits, especially saprophagous/necrophagous. An updated list with 26 species of flesh flies recorded in the literature from the State of Mato Grosso do Sul is provided. Distribution recorded by municipality and their references are also given.

KEYWORDS
Flesh fly; biodiversity; distribution; Midwest; Biota-MS Program

Diptera é uma das ordens mais estudadas em todo o mundo, em comparação com muitos outros insetos. Entretanto, a maioria dos estudos se concentra nos grupos que apresentam espécies de interesse médico ou agrícola, e algumas famílias ainda são negligenciadas. Adicionalmente, é uma das ordens com mais estudos filogenéticos, de toda a ordem ou parte dela, tanto com dados morfológicos, quanto moleculares ( Yeates et al., 2007 Yeates, D. K.; Wiegmann, B. M.; Courtney, G. W.; Meier, R. Lambkin, C.& Pape, T.2007. Phylogeny and systematics of Diptera: two decades of progress and prospects. Zootaxa 1668:565-590. ; Kutty et al., 2010Kutty, S. N.; Pape, T. Wiegmann, B. M.& Meier, R. 2010. Molecular phylogeny of the Calyptratae (Diptera: Cyclorrhapha) with an emphasis on the superfamily Oestroidea and the position of Mystacinobiidae and McAlpine’s fly. Systematic Entomology 35:614-635. ; Wiegmann et al., 2011Wiegmann, B. M.; Trautweina, M. D.; Winkler, I. S; Barr, N. B.; Kim, J.; Lambkin, C.; Bertone, M. A.; Cassel, B. K.; Bayless, K. M.; Heimberg, A. M.; Wheeler, B. M.; Peterson, K. J.; Pape, T.; Sinclair, B. J.; Skevington, J. H.; Blagoderov, V. Caravas, J.;Kutty, S. N. Schmidt-Ott, U.; Kampmeier, G. E.; Thompson, F. C.; Grimaldi, D. A.; Beckenbach, A. T.; Courtney, G. W. Friedrich, M.; Meier, R.& Yeates, D. K.2011. Episodic radiations in the fly tree of life. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 108:5690-5695. ). Apesar disso, o conhecimento da riqueza dos dípteros hoje é ainda incipiente e o número de espécies em todo mundo é muito menor do que o estimado. Possivelmente este número aproxima-se de 1,6 milhão ( Hammond, 1992Hammond, P. M. 1992. Uncharted realms of species richness. In: Groombridge, B. ed. Global Biodiversity: Status of the Earth’s Living Resources. London, Chapman and Hall, World Conservation Monitoring Centre, p. 26-39. ) ou talvez se equipare ao de Coleoptera ( Gaston, 1991Gaston, K. J. 1991. The magnitude of global insect species richness. Conservation Biology 5:283-296. ), uma vez que existe carência do conhecimento da dipterofauna em diversas regiões do globo. Na Região Neotropical estima-se que a fauna de dípteros seja cerca de dez vezes maior o que se conhece atualmente ( Amorim et al., 2002Amorim, D. S.; Silva, V. C & Balbi, M. P. I. A. 2002. Estado do conhecimento dos Diptera neotropicais. Principais Coleções Brasileiras de Diptera: Histórico Taxonômico e Situação Atual. In: Costa, C.; Vanin, S. A.; Lobo J. M. & Melic, A. eds. Proyecto de Red Iberoamericana de Biogeografía y Entomología Sistemática. Zaragoza, Pribes, Sociedad Entomológica Aragonesa (SEA) & Cyted, p. 29-36. ). Muitos autores alegam que a baixa taxa de descrições de espécie na neotrópica se deve, principalmente, ao reduzido número de taxonomistas trabalhando na região frente a sua expressiva diversidade ( Brown, 2005Brown, B. V. 2005. Malaise trap catches and their crisis in the Neotropical Dipterology. American Entomologist 51:180-183.; Rafael et al., 2009Rafael, J. A.; Aguiar, A. P. E. & Amorim, D. S.2009. Knowledge of insect diversity in Brazil: challenges and advances. Neotropical Entomology 38:565-570. ).

Sarcophagidae é uma das duas famílias com maior riqueza de espécies entre os dípteros caliptrados da superfamília Ostroidea, porém pouco estudada em todo mundo, principalmente na Região Neotropical ( Brown et al., 2009Brown, B. V.; Borkent, A.; Cumming, J. M.; Wood, D. M.; Woodley, N. E. & Zumbado, M. A. eds. 2009. Manual of Central American Diptera. vol. 1. Ottawa, NRC Research Press. 714p.). São conhecidas mundialmente mais de 3.000 espécies destas moscas no mundo ( Pape et al., 2011Pape, T.; Blagoderov, V. & Mostovski, M. B. 2011. Order Diptera Linnaeus, 1758. Animal biodiversity: An outline of higher-level classification and survey of taxonomic richness (Z. Q. Zhang, ed.). Zootaxa 3148:1-237. ) e cerca de 800 na Região Neotropical (Pape, 1996). A monofilia da família é consenso entre os autores, tanto com base em caracteres morfológicos ( Pape, 1986Pape, T. 1986. The phylogeny of Sarcophagidae. In: Abstracts of the first International Congress of Dipterology, Budapest, p. 182.; Pape & Dahlem, 2010Pape, T. & Dahlem, G. A. 2010. Sarcophagidae. In: Brown, B. V.; Borkent, A.; Cumming, J. M.; Wood, D. M. Woodley, N. E.& Zumbado, M. A.eds. Manual of Central American Diptera Ottawa, NRC Research Press, p.1313-1336. ; Giroux et al., 2010Giroux, M.; Pape, T.& Wheller, T. A. 2010. Towards a phylogeny of the flesh flies (Diptera: Sarcophagidae): Morphology and Phylogenetic implications of the acrophallus in the subfamily Sarcophaginae. Zoological Journal of the Linnean Society 158:740-778. ), quanto moleculares ( Kutty et al., 2010Kutty, S. N.; Pape, T. Wiegmann, B. M.& Meier, R. 2010. Molecular phylogeny of the Calyptratae (Diptera: Cyclorrhapha) with an emphasis on the superfamily Oestroidea and the position of Mystacinobiidae and McAlpine’s fly. Systematic Entomology 35:614-635. ; Wiegmann et al., 2011Wiegmann, B. M.; Trautweina, M. D.; Winkler, I. S; Barr, N. B.; Kim, J.; Lambkin, C.; Bertone, M. A.; Cassel, B. K.; Bayless, K. M.; Heimberg, A. M.; Wheeler, B. M.; Peterson, K. J.; Pape, T.; Sinclair, B. J.; Skevington, J. H.; Blagoderov, V. Caravas, J.;Kutty, S. N. Schmidt-Ott, U.; Kampmeier, G. E.; Thompson, F. C.; Grimaldi, D. A.; Beckenbach, A. T.; Courtney, G. W. Friedrich, M.; Meier, R.& Yeates, D. K.2011. Episodic radiations in the fly tree of life. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 108:5690-5695. ), assim como das três subfamílias nela reconhecidas: Miltogramminae, Paramacronychiinae e Sarcophaginae.

A morfologia geral dos sarcofagídeos é bastante uniforme (tórax com três faixas pretas longitudinais e abdome axadrezado) e a distinção das espécies se baseia principalmente nos caracteres genitais masculinos ( Mello-Patiu et al., 2009Mello-Patiu, C. A.; Soares, W. F. & Silva, K. P. 2009. Espécies de Sarcophagidae (Insecta: Diptera) registradas no estado do Rio de Janeiro. Arquivos do Museu Nacional 67(3-4):173-188. ). As fêmeas fazem postura de larvas e os hábitos de seus imaturos são bastante variados, sendo a maioria saprófago/necrófago, o que os inclui entre os principais decompositores de matéria orgânica animal e lhes confere importância forense ( Oliveira-Costa, 2008Oliveira-Costa, J. 2008. Entomologia Forense - quando os insetos são vestígios. Campinas, Millennium. 420p.; Courtney et al., 2009Courtney, G. W.; Pape, T.; Skevington, J. H. & Sinclair, B. J. 2009. Biodiversity of Diptera. In: Foottit, R. & Adler, P. eds. Insect Biodiversity: Science and Society. Oxford, Blackwell Publishing, p. 185-222. ). Além da saprofagia/necrofagia, os hábitos principais incluem alguns parasitóides, obrigatórios ou facultativos, e outros causadores de miíases ( Shewell, 1987Shewell, G. E. 1987. Sarcophagidae. In: McAlpine, J. F.; Peterson, B. V.; Shewell, G. E. Teskey, H. J.; Vockeroth, J. R. & Wood, D. M.eds. Manual of Neartic Diptera. Ottawa, Research Branch, Agriculture Canada, p.1159-1186. ; Stevens et al., 2006Stevens, J. R.; Wallmann, J. F.; Otranto, D.; Wall, R. & Pape, T.2006. The evolution of myiasis in humans and other animals in the Old and New Worlds (part II): Biological and Life-history studies. Trends in Parasitology 22(4):181-188. ; Moretti et al., 2009Moretti, T. C.; Allegretti, S. M.; Mello-Patiu, C. A. Tognolo, A. M.; Ribeiro, O. B. & Solis, D. R. 2009. Occurrence of Microcerella halli (Engel) (Diptera, Sarcophagidae) in snake carrion in southeastern Brazil. Revista Brasileira de Entomologia 53:318-320. ; Mello-Patiu & Luna-Dias, 2010Mello-Patiu, C. A. & Luna-Dias, C. 2010. Myiasis in the Neotropical amphibian Hypsiboas beckeri (Anura: Hylidae) by a new species of Lepidodexia (Diptera: Sarcophagidae). Journal of Parasitology 96:685-688. ).

Embora nos estudos sobre sarcofagídeos neotropicais a literatura taxonômica se sobreponha àquela sobre os demais aspectos biológicos, chaves de identificação ainda são escassas, mesmo para machos, e na maioria das vezes são limitadas a um gênero ou a fauna regional ( Vairo et al., 2011Vairo, K. P.; Mello-Patiu, C. A.& Carvalho, C. J. B. de. 2011. Pictorial identification key for species of Sarcophagidae (Diptera) of potential forensic importance in southern Brazil. Revista Brasileira de Entomologia55(3):333-347. ). Da mesma forma, listagens e inventários faunísticos, mesmo regionais, são raros ( Lopes & Tibana, 1982Lopes, H. S. & Tibana, R. 1982. Sarcophagid flies (Diptera) from Sinop, State of Mato Grosso, Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz77(3):285-298. , 1991 Lopes, H. 1991.Sarcophagidae (Diptera) de Roraima, Brasil. Acta Amazonica 21:151-157.; Mello-Patiu et al., 2009Mello-Patiu, C. A.; Soares, W. F. & Silva, K. P. 2009. Espécies de Sarcophagidae (Insecta: Diptera) registradas no estado do Rio de Janeiro. Arquivos do Museu Nacional 67(3-4):173-188. ).

Vários autores têm ressaltado a importância da produção de inventários e ckecklists para estudos de biodiversidade e biogeografia ( Cranston, 2005Cranston, P. 2005. Biogeographic patterns in the evolution of Diptera. In: Yeates, D. K. & Wiegmann, B. M. eds. The evolutionary biology of flies. New York, Columbia University Press, p.274-311. ), bem como sua utilidade como ferramenta para elaboração de políticas de conservação ( Silveira & Uezu, 2011Silveira, L. F. & Uezu, A. 2011. Checklist das aves do Estado de São Paulo, Brasil. Biota Neotropica 11(1a):1-28. Disponível em: < Disponível em: http://www.biotaneotropica.org.br/v11n1a/pt/abstract?inventory+bn0061101a2011 >. Acessado em 27/08/2012.
http://www.biotaneotropica.org.br/v11n1a...
). Este tipo de produção ainda é considerado de pouca importância, embora reconhecidamente fundamental para apontar possíveis lacunas de conhecimento, tanto geográficas como taxonômicas ( Cranston, 2005Cranston, P. 2005. Biogeographic patterns in the evolution of Diptera. In: Yeates, D. K. & Wiegmann, B. M. eds. The evolutionary biology of flies. New York, Columbia University Press, p.274-311. ). Assim, neste trabalho é apresentada uma lista atualizada das espécies de Sarcophagidae registradas para o estado do Mato Grosso do Sul.

MATERIAL & MÉTODOS

O estado do Mato Grosso do Sul (MS), local de abrangência dos registros aqui apresentados, é um estado do centro-oeste brasileiro com uma área total de 357.124, 962 km2, dividida em 79 municípios ( Mato Grosso do Sul, 2012Governo do Estado do Mato Grosso do Sul. 2012. < http://www.ms.gov.br/index.php?inside=1&tp=3&comp=4298&show=3626>. Acessado em 27/08/2012.
http://www.ms.gov.br/index.php?inside=1&...
). O relevo é predominantemente plano, com altitudes médias entre 200 e 600 m e apenas duas formações montanhosas em destaque, as serras da Bodoquena e de Maracaju ( Mato Grosso do Sul, 2012Governo do Estado do Mato Grosso do Sul. 2012. < http://www.ms.gov.br/index.php?inside=1&tp=3&comp=4298&show=3626>. Acessado em 27/08/2012.
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). A cobertura vegetal engloba três biomas: o Pantanal (25%) a oeste, uma pequena área de Mata Atlântica ao sul e o Cerrado (61%) na maior parte do território ( IBGE, 2004 IBGE - 2004. Mapas de Biomas do Brasil. Disponível em: < Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/default_prod.shtm#MAPAS >. Acessado em 21/08/2012.
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/...
). O clima é tropical e tropical de altitude, com verões quentes e chuvosos (de outubro a abril) e invernos secos com temperaturas mais amenas (de maio a setembro), e a pluviosidade é de aproximadamente 1.500 mm anuais. A temperatura média anual é de 22°C, a média do mês mais frio (junho ou julho) é 18°C e a média das máximas de setembro é de 32°C ( Nimer, 1989Nimer, E. 1989. Climatologia do Brasil. 2ed. Rio de Janeiro, Fundação IBGE. 421p.).

A lista apresentada foi compilada, primeiramente, dos catálogos de Lopes (1969 Lopes, H. 1969. Family Sarcophagidae. In: Papavero, N. ed. A catalogue of the Diptera of the Americas South of the United States. São Paulo, Departamento de Zoologia, Secretaria da Agricultura. vol.103, p.1-88.) e Pape (1996 Pape, T. 1996. Catalogue of the Sarcophagidae of the World (Insecta: Diptera). Gainesville, Associated Publishers. 558p.), e atualizada com informações recentes da literatura. A nomenclatura dos táxons segue Pape (1996 Pape, T. 1996. Catalogue of the Sarcophagidae of the World (Insecta: Diptera). Gainesville, Associated Publishers. 558p.), onde também é possível encontrar os dados referentes às sinonímias genéricas e específicas, não arroladas nesse trabalho.

Para cada gênero foi citada sua espécie-tipo e para cada espécie foram citadas localidade-tipo, distribuição geográfica conhecida e referências relacionadas apenas aos registros no Mato Grosso do Sul. Na distribuição geográfica foram listados os países em ordem alfabética e para o Brasil foram incluídos os estados, utilizando-se as siglas oficiais dos Estados da Federação Brasileira, conforme apresentadas pelo IBGE (2012IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Estados@. Disponível em: < Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=ms# >. Acessado em 21/08/2012.
http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil....
).

Como o desmembramento dos estados do Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS) se efetivou apenas em 1979, publicações mais antigas citam apenas Mato Grosso. Assim, quando na referência não há especificação do município que nos permita identificar a qual dos dois estados se refere tal coleta, foi mantido o registro da espécie com a sigla MT acompanhada de asterisco (MT*). Quando foi possível identificar o município (e/ou região) de registro, esse foi inserido entre colchetes [ ] após a sigla MS.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No catálogo de Lopes (1969 Lopes, H. 1969. Family Sarcophagidae. In: Papavero, N. ed. A catalogue of the Diptera of the Americas South of the United States. São Paulo, Departamento de Zoologia, Secretaria da Agricultura. vol.103, p.1-88.) foram registradas 25 espécies para o Mato Grosso, quando os dois estados ainda não haviam sido desmembrados. No catálogo de Pape (1996 Pape, T. 1996. Catalogue of the Sarcophagidae of the World (Insecta: Diptera). Gainesville, Associated Publishers. 558p.) ambos os estados ainda foram considerados juntos, com distribuição referida apenas como Mato Grosso, e 53 espécies foram registradas. Observa-se, portanto, um aumento de apenas 50% nos registros em um período de 27 anos para uma área de grande extensão territorial e diversidade de biomas e ecossistemas.

No presente inventário foram listadas 26 espécies para o estado do Mato Grosso do Sul. A fim de discriminar os registros anteriores entre MT e MS, foram verificadas as procedências de coleta na bibliografia original, o que permitiu ressaltar mais ainda o quão subamostrada é a área de abrangência do MS. Das 53 espécies registradas em Pape (1996 Pape, T. 1996. Catalogue of the Sarcophagidae of the World (Insecta: Diptera). Gainesville, Associated Publishers. 558p.), apenas 26 fazem parte de nossa lista, mas destas apenas 19 tem registro confirmado para o MS e sete foram incluídas pela impossibilidade de discriminar a procedência.

Do resultado obtido, observa-se que Oxysarcodexia Townsend foi o gênero mais diverso com sete espécies registradas, possivelmente por ser bem numeroso e pela fácil atratividade de suas espécies por diversas iscas. Porém, certamente está subamostrado no MS, uma vez que 23 espécies deste gênero têm sido registradas em outras áreas do cerrado brasileiro. Da mesma forma podemos estimar que Peckia Robineau-Desvoidy, um gênero relativamente numeroso e de espécimes grandes, deva ser mais bem representado no MS, pois 14 espécies já foram registradas em cerrado, enquanto a literatura só registra quatro para este estado.

Segue abaixo a lista resultante da análise da literatura, sendo assinalados os municípios do MS, quando possível. Dos 26 registros apresentados, a maioria se deve a coletas realizadas em Salobra, município de Miranda, nas expedições científicas realizadas pela equipe do Prof. Lauro Travassos (Instituto Oswaldo Cruz) no final dos anos 1930 e início dos 1940 ( Travassos, 1940Travassos, L. 1940. Relatório da terceira excursão à zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil realizada em Fevereiro e Março de 1940: I - Introdução. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz35(3):607-696. ; Travassos & Freitas, 1940Travassos, L. & Freitas, J. F. T. de. 1940. Relatório da excursão científica realizada na zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil em Julho de 1939. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz35(3):525-556. ). Com relação às demais localidades, seguem-se quatro registros em Bodoquena e apenas um para Maracaju, Três Lagoas, “Nhecolândia” e, provavelmente Bataguassu [veja observação na referência de Peckia ( E.) collusor]. Todos os dados acima expostos ressaltam a carência de informação acerca da diversidade dos Sarcophagidae do MS.

MILTOGRAMMINAE

Metopia Meigen, 1803

pauciseta Dodge, 1966. Localidade-tipo: Peru, Monson Valley, Tingo María. Distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil (DF, MT, PA, SP), Costa Rica, Curaçao, Guiana, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad & Tobago, Venezuela.

SARCOPHAGINAE

Dexosarcophaga Townsend, 1917

ampullula (Engel, 1931). Localidade-tipo: Argentina, Lapango. Distribuição: Argentina, Brasil (GO, MT, RJ, SP).

globulosa Lopes, 1946. Localidade-tipo: Brasil, Rio de Janeiro, Grajaú. Distribuição: Guiana, Brasil (BA, CE, MS [Bodoquena], RJ). Referência: Lopes (1946a Lopes, H. 1946a. Novos sarcofagídeos neotrópicos representados na coleção do “Imperial Institute of Entomology” (Diptera, Sarcophagidae). Revista Brasileira de Biologia 6(1):117-131.).

Helicobia Coquillett, 1895

morionella (Aldrich, 1930) ( Sarcophaga). Localidade-tipo: Cuba, Habana. Distribuição: Bermuda, México, EUA, Argentina, Bahamas, Brasil (MT*, RJ, SP), Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Guatemala, Haiti, Jamaica, Porto Rico, Ilhas Virgens Americanas, Ilhas Havaianas.

pilifera (Lopes, 1939). Localidade-tipo: Brasil, Rio de Janeiro: Gávea. Distribuição: Argentina, Brasil (CE, MS [Miranda], RJ, SP), Trinidad & Tobago. Referência: Tibana (1981Tibana, R. 1981. Sobre sete espécies de Helicobia Coquillet, 1895 (Diptera, Sarcophagidae). Revista Brasileira de Biologia41(3):625-634.).

Lepidodexia ( Asilodexia) Townsend, 1927

elegans ( Lopes, 1938Lopes, H. S. 1938. Sobre um interessante novo genero de Sarcophagidae, que apresenta reducção dos esternitos abdominaes. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 33(3):433-435.). Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul: Maracajú. Distribuição - Brasil (MS [Maracajú]). Referência: Lopes (1938Lopes, H. S. 1938. Sobre um interessante novo genero de Sarcophagidae, que apresenta reducção dos esternitos abdominaes. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 33(3):433-435., 1992 Lopes, H. 1992. On the genus Asilidodexia (Diptera, Sarcophagidae) with descriptions of four new species. Revista Brasileira de Biologia52(1):125-132.).

matogrossensis ( Lopes, 1992 Lopes, H. 1992. On the genus Asilidodexia (Diptera, Sarcophagidae) with descriptions of four new species. Revista Brasileira de Biologia52(1):125-132.). Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul: Três Lagoas (Fazenda Dr. José Mendes). Distribuição: Brasil (MS [Três Lagoas]). Referência: Lopes (1992 Lopes, H. 1992. On the genus Asilidodexia (Diptera, Sarcophagidae) with descriptions of four new species. Revista Brasileira de Biologia52(1):125-132.).

Lipoptilocnema Townsend, 1934

salobrensisLopes, 1942 Lopes, H. 1942. Sobre o gênero Lipoptilocnema Townsend, com a descrição de uma nova espécie (Diptera, Sarcophagidae). Revista de Entomologia 13(3):206-303.. Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul, [Miranda] Salobra. Distribuição: Brasil (MS [Miranda]). Referência: Lopes (1942 Lopes, H. 1942. Sobre o gênero Lipoptilocnema Townsend, com a descrição de uma nova espécie (Diptera, Sarcophagidae). Revista de Entomologia 13(3):206-303.).

Oxysarcodexia Townsend, 1917

amorosa (Schiner,1868). Localidade-tipo: Brasil. Distribuição: Brasil (BA, CE, MS [Miranda], MG, RJ, SC), Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana, México, Peru. Referência: Lopes (1946b Lopes, H. 1946b. Contribuição ao conhecimento das espécies do gênero Oxysarcodexia Townsend, 1917. Boletim da Escola Nacional de Veterinaria 1:62-134.), Lopes & Tibana (1987 Lopes, H. 1987. On Oxysarcodexia (Diptera, Sarcophagidae), with descriptions of five new species, key, list and geographic distribution of the species. Revista Brasileira de Biologia47(3):329-347.).

angrensis (Lopes, 1933). Localidade-tipo: Brasil, Rio de Janeiro, Angra dos Reis. Distribuição: Brasil (GO, MS [Miranda], PA, RJ, SP), Costa Rica, Equador, Guiana, Panamá, Peru, Trinidad & Tobago, Venezuela. Referência: Lopes (1946b Lopes, H. 1946b. Contribuição ao conhecimento das espécies do gênero Oxysarcodexia Townsend, 1917. Boletim da Escola Nacional de Veterinaria 1:62-134.), Lopes & Tibana (1987 Lopes, H. 1987. On Oxysarcodexia (Diptera, Sarcophagidae), with descriptions of five new species, key, list and geographic distribution of the species. Revista Brasileira de Biologia47(3):329-347.).

avuncula (Lopes, 1933). Localidade-tipo: Brasil, Guanabara, Rio de Janeiro, Manguinhos. Distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil (CE, DF, GO, MS [Miranda], MG, RJ, SC, SP), Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Trinidad & Tobago. Referência: Lopes (1946b Lopes, H. 1946b. Contribuição ao conhecimento das espécies do gênero Oxysarcodexia Townsend, 1917. Boletim da Escola Nacional de Veterinaria 1:62-134.); Lopes & Tibana (1987 Lopes, H. 1987. On Oxysarcodexia (Diptera, Sarcophagidae), with descriptions of five new species, key, list and geographic distribution of the species. Revista Brasileira de Biologia47(3):329-347.).

confusa Lopes, 1946. Localidade-tipo: Brasil, Rio de Janeiro: Miguel Pereira. Distribuição: Argentina, Brasil (MT*, MG, PR, RJ, SC, SP).

fringidea (Curran & Walley,1934. Localidade-tipo: Guiana, Georgetown. Distribuição: Bolívia, Brasil (AM, BA, ES, MA, MS [Miranda], MG, PA, PE, RJ), Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Venezuela. Referência: Lopes & Tibana (1987 Lopes, H. 1987. On Oxysarcodexia (Diptera, Sarcophagidae), with descriptions of five new species, key, list and geographic distribution of the species. Revista Brasileira de Biologia47(3):329-347.).

parva Lopes, 1946. Localidade-tipo: Brasil, Guanabara, Rio de Janeiro, Grajaú. Distribuição: Argentina, Brasil (CE, MS [Miranda], MG, RJ, SP, PR). Referência: Lopes (1946b Lopes, H. 1946b. Contribuição ao conhecimento das espécies do gênero Oxysarcodexia Townsend, 1917. Boletim da Escola Nacional de Veterinaria 1:62-134.); Lopes & Tibana (1987 Lopes, H. 1987. On Oxysarcodexia (Diptera, Sarcophagidae), with descriptions of five new species, key, list and geographic distribution of the species. Revista Brasileira de Biologia47(3):329-347.).

thornax (Walker, 1852). Localidade-tipo: não disponível. Distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil (AM, AP, CE, ES, GO, MT, MS [Miranda, Bodoquena], MG, PA, PB, PR, PE, RJ, RR, RS, SC, SP), Equador, Guiana, Paraguai, Peru. Referência: Lopes (1946b Lopes, H. 1946b. Contribuição ao conhecimento das espécies do gênero Oxysarcodexia Townsend, 1917. Boletim da Escola Nacional de Veterinaria 1:62-134.).

Oxyvinia Dodge, 1966

excisa ( Lopes, 1950 Lopes, H. 1950. Novas espécies neotrópicas de “ Notochaeta” Aldrich e “ Dexosarcophaga” Townsend (Diptera, Sarcophagidae). Revista Brasileira de Biologia10(3):353-364.). Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul, Miranda, Salobra. Distribuição: Brasil (MS [Miranda]). Referência: Lopes (1950 Lopes, H. 1950. Novas espécies neotrópicas de “ Notochaeta” Aldrich e “ Dexosarcophaga” Townsend (Diptera, Sarcophagidae). Revista Brasileira de Biologia10(3):353-364.).

Peckia ( Euboettcheria) Townsend, 1927

collusor (Curran & Walley, 1934). Localidade-tipo: Guiana, Kartabo. Distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil (BA, CE, DF, GO, MG, MT, MS, PR, RJ, RR, SC), Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana, Panamá, Trinidad & Tobago. Referência: Buenaventura (2009Buenaventura, I. E. 2009. Revisión del genero Peckia Robineau-Desvoidy, 1830 (Diptera: Sarcophagidae) y análisis filogenético de sus subgéneros. Dissertação de mestrado. Bogotá, Universidad Nacional de Colombia. ) (autor listou espécime examinado de “Mato Grosso, Rio Caraguata”, coletado por F. Plaumann em 1953. Publicações de outros insetos coletados na mesma localidade, data e coletor adicionam, além destes dados, as coordenadas 21°48’S, 52°27’W que corresponderia à área no Mato Grosso do Sul, município de Bataguassu, próximo à divisa com estado de São Paulo).

Peckia ( Pattonella) Enderlein, 1928

intermutans (Walker), 1861 ( Sarcophaga). Localidade-tipo: México. Distribuição: Belize, Brasil (CE, GO, DF, MG, MT*, PA, PR, RJ, RR, SC, SP), Costa Rica, Equador, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, St. Lucia, Trinidad & Tobago, Venezuela.

Peckia ( Peckia) Robineau-Desvoidy, 1830

enderleini (Engel, 1931). Localidade-tipo: Bolívia, Chiquitos. Distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil (MS [“Nhecolândia”], RS, SP), Paraguai. Referência: Buenaventura (2009Buenaventura, I. E. 2009. Revisión del genero Peckia Robineau-Desvoidy, 1830 (Diptera: Sarcophagidae) y análisis filogenético de sus subgéneros. Dissertação de mestrado. Bogotá, Universidad Nacional de Colombia. ) (os dados de etiqueta do espécime examinado refere-se ao Pantanal de Nhecolândia, uma extensa área entre os rios Taquari e Negro abrangendo os municípios de Rio Verde de Mato Grosso e Corumbá, e neste último está inserida a maior parte de seu território).

Peckia ( Squamatodes) Curran, 1927

ingens (Walker, 1849). Localidade-tipo: [desconhecida]. Distribuição: Argentina, Belize, Brasil (AP, CE, DF, MT*, MG, PA, RJ, RR, SP), Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, Venezuela.

Ravinia Robineau-Desvoidy, 1863

advena (Walker, 1853). Localidade-tipo: Brasil. Distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil (MT*, MG, SC, SP).

almeidai (Lopes, 1946). Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul, Salobra. Distribuição: Brasil (CE, MS [Bodoquena, Miranda], MG, PR, SP). Referência: Lopes (1946c Lopes, H. 1946c. Chaetoravinia almeidai n.sp., novo Sarcophagidae do Brasil (Diptera). In: Livro jubilar de homenagem a Romualdo Ferreira d’Almeida. Rio de Janeiro, 23:227-230.).

Titanogrypa ( Airypel) Dodge, 1965

cryptopyga (Lopes, 1956). Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul [Miranda], Salobra. Distribuição: Bolívia, Brasil (MS [Miranda]), Cuba, Guiana, Jamaica. Referência: Lopes (1956b Lopes, H. 1956b. Sôbre o gênero “ Titanogrypa” Townsend, 1917 (Diptera, Sarcophagidae). Revista Brasileira de Biologia16(2):207-211.).

Tricharaea ( Sarcophagula) Wulp, 1887

canuta (Wulp), 1896 ( Sarcophagula). Localidade-tipo: México, Vera Cruz, Orizaba. Distribuição: México, Brasil (MS [Miranda]), Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Ilhas Galápagos, Guatemala, Jamaica, Honduras, Paraguai, Peru, Ilhas Marshall. Referência: Lopes (1956a Lopes, H. 1956a. Contribuição ao conhecimento do gênero Sarcophagula Wulp, 1887. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz52(3-4):587-602.).

indonata (Lopes, 1956). Localidade-tipo: Suriname. Distribuição: Brasil (MS [Miranda]), Paraguai, Suriname. Referência: Lopes (1956a Lopes, H. 1956a. Contribuição ao conhecimento do gênero Sarcophagula Wulp, 1887. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz52(3-4):587-602.).

occidua (Fabricius, 1794). Localidade tipo: Índias Ocidentais [“Americae meridionalis”]. Distribuição: Argentina, Bolívia, Brasil (AM, CE, GO, MA, MS [Miranda, Bodoquena], PA, RJ, SP), Chile, Colômbia, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Ilhas Galápagos, Guiana, Haiti, Havaí, México, Paraguai, Peru, Porto Rico,Venezuela, Polinésia Francesa. Referência: Lopes, (1956a Lopes, H. 1956a. Contribuição ao conhecimento do gênero Sarcophagula Wulp, 1887. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz52(3-4):587-602.).

Principais acervos e grupos de pesquisa. No Brasil, duas coleções se destacam pelo número de espécimes e pela diversidade de Sarcophagidae identificados: a Coleção Entomológica do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (MNRJ) e a Coleção de Diptera do Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo (MZUSP). Entretanto, outras coleções nacionais também devem ser citadas, como: Coleção Entomológica Pe. Jesus S. Moure do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (DZUP), Coleção do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Coleção Entomológica do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

Atualmente, no Brasil, temos o Laboratório de Diptera - Sarcophagidae do Museu Nacional/UFRJ, no Rio de Janeiro, coordenado pela Profa Cátia Mello-Patiu, que vem trabalhando com Sistemática de Sarcophagidae neotropicais e foco principal na formação de novos pesquisadores.

Nos demais países da América do Sul e também com foco na fauna neotropical, podemos citar o Departamento Vectores, ANLIS “Dr. Carlos G. Malbrán” em Buenos Aires, Argentina, com os pesquisadores Juan Carlos Mariluis e Pablo Mulieri, e o Laboratório de Entomologia da Universidade de Antioquia, Medellin, Colômbia, com a Profa. Marta Wolff. Ambos os grupos de pesquisa também tem atuado na formação de novos pesquisadores no estudo dos sarcofagídeos.

Principais lacunas do conhecimento. Com base nas evidências acima descritas, devemos mais uma vez enfatizar a extrema escassez de conhecimento da fauna de Sarcophagidae no Estado do Mato Grosso do Sul, impedimento para estudos de relação da fauna com os seus diferentes biomas e ecossistemas, de endemismo, etc., necessários a compreensão da família.

Aliado ao desconhecimento desta fauna, não só no MS, mas também em outras áreas do Brasil, as principais lacunas no estudo dos sarcofagídeos neotropicais se pauta no conhecimento fragmentário de sua sistemática, na necessidade de revisões taxonômicas de grupos pouco conhecidos, na falta de dados de biologia de muitos grupos, na falta de chaves e outras ferramentas de identificação da fauna neotrópica, todos, certamente, consequências da carência de especialistas atuando no grupo.

Também deve ser ressaltado que, para a maioria das espécies, ainda há a necessidade de estudos com imaturos e fêmeas, e a associação destes com os machos já conhecidos e de informações sobre sua história natural, pois, na maioria dos casos, as coletas focam os adultos machos e negligenciam imaturos e fêmeas. Tais carências geram também um entrave nas pesquisas aplicadas e de etologia, já que são dependentes de um conhecimento morfológico e taxonômico prévio das espécies envolvidas.

Perspectivas para os próximos 10 anos. As perspectivas para os próximos anos são bastante promissoras. Primeiro, porque teremos a atuação dos especialistas que hoje estão em formação e que muito poderão contribuir para a sistemática e para uma classificação mais estável da família. Segundo, pelo projeto Sisbiota Diptera (CNPq/FAPESP), abrangendo áreas do MS, MT e RO, que se encontra em desenvolvimento desde 2011 e apresentará resultados importantes relacionados ao aumento do número de registros no estado, revisões de grupos, descrições de novos táxons, chaves de identificação, catálogos e checklists.

O avanço do conhecimento dos Sarcophagidae no Mato Grosso do Sul, não só será uma grande contribuição ao conhecimento da biodiversidade brasileira, como um importante ponto de partida para estimular novos estudantes do estado para o estudo desta interessante família de dípteros.

Agradecimentos.

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS) pelo convite de participação neste fascículo especial da Iheringia, Série Zoologia e o suporte financeiro para sua publicação.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    2017

Histórico

  • Recebido
    29 Nov 2016
  • Aceito
    06 Fev 2017
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