COMUNICADOS
Ocorrência de Colletotrichum gloeosporioides em frutos de carnaubeira no Brasil
Francisco das Chagas Oliveira Freire1; Beatriz Meireles Barguil
Embrapa Agroindústria Tropical, Fortaleza-CE, Brasil
A espécie Copernicia prunifera (Miller) H. E. Moore é uma palmeira de porte variável, sendo nativa da região nordeste do Brasil. É bastante utilizada em projetos paisagísticos por sua beleza. Suas folhas servem de alimento para o gado e também produzem uma cera que no passado constituiu importante matéria prima para a fabricação de discos, vernizes e substâncias de polimento. Seus frutos são ovóides e de coloração preta quando maduros (Lorenzi, H. & Mello Filho, L. E. As plantas tropicais de R. Burle Marx. São Paulo: Instituto Plantarum, 2001. 504p.). Uma severa infecção em frutos de carnaubeira foi observada no município de Chorozinho, no estado do Ceará em janeiro de 2006. Os frutos afetados exibiam lesões necróticas esbranquiçadas, arredondadas, às vezes com círculos concêntricos formados pelos acérvulos do patógeno (Fig. 1A). Os frutos atacados apodrecem e posteriormente caem, sendo também observada a existência de alguns frutos mumificados. Os isolamentos realizados a partir de regiões lesionadas cultivadas em meio de batata-dextroseágar resultaram no desenvolvimento de Colletotrichum sp. Através das características morfológicas de tamanho de conídio e de apressório, bem como da coloração do micélio pode-se verificar que se tratava de C. gloeosporioides (Penz.) Sacc. (Sutton, B.C. The Coelomycetes. Kew: Commonwealth Mycological Institute, 1980. 696p.). A espécie do patógeno também foi verificada através de PCR (Polymerase Chain Reaction) usando primer específico para a região ITS de C. gloeosporioides. A extração do DNA genômico e as condições da PCR foram realizadas conforme Freeman et al. (Genetic diversity within Colletotrichum acutatum sensu Simmonds. Phytopathology, v. 91, p. 586-592, 2001.). Uma banda de aproximadamente 450 pb foi gerada, confirmando o resultado obtido através das características morfológicas (Fig. 1B). O teste de patogenicidade foi realizado através de discos de meio de cultura contendo estruturas do patógeno colocados sobre ferimentos em frutos maduros. Os sintomas típicos puderam ser observados cinco dias após a inoculação. Apenas Pseudocercospora coperniciae havia sido relatado neste hospedeiro (Braun, U. & Freire, F.C.O. Some cercosporoid hyphomycetes from Brazil - II. Cryptogamie Mycologie, v. 23, n. 4, p. 295-328, 2002.). Esta é a primeira ocorrência de Colletotrichum gloeosporioides em frutos de carnaubeira no Brasil. A cultura encontra-se depositada na Coleção de Culturas de Fungos Fitopatogênicos "Prof. Maria Menezes (CMM), certificado CMM 009/2008.
Data de chegada: 12/12/2006.
Aceito para publicação em: 05/11/2008