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Tamanho e forma de parcela experimental para cana-de-açúcar

Plot size and shape for sugar cane experiments

Resumos

Realizou-se um ensaio de uniformidade na Usina Barra Grande, em Lençóis Paulista, SP, em 1982, a fim de estudar o tamanho e a forma de parcela para experimento de campo com cana-de-açúcar: simularam-se 55 diferentes tipos de parcela, cuja unidade básica constou de 2m lineares de uma linha de cana espaçada de outra de 1,5m, tomando-se o peso dos colmos de cada unidade básica. A formação de diferentes tamanhos de parcela foi feita pelo agrupamento das unidades básicas adjacentes. Foram determinados os índices de heterogeneidade do solo, b, cujos valores variaram de 0,2843 a 0,6000, dependendo dos métodos utilizados e da maneira de compor os blocos, parcelas e subparcelas. Em solos homogêneos, parcelas menores que 54m² podem ser utilizadas com maior eficiência na detecção de diferenças entre médias de tratamentos (d). Em solos heterogêneos, a variação do tamanho da parcela pouco influi no valor de d. Pelo método da curvatura máxima, parcelas de 6 a 12m² proporcionaram a maior diminuição no coeficiente de variação. Considerando uma mesma área experimental, existe grande vantagem em reduzir o tamanho da parcela e aumentar o número de repetições. Reduzindo a área da parcela para 12m², há condições de aumentar consideravelmente o número de repetições em experimentos com cana-de-açúcar. Isso significa maior possibilidade de detectar diferenças significativas entre as médias dos tratamentos. A influência do comprimento da parcela em reduzir o coeficiente de variação foi de 2,6 vezes maior que a da largura Para que diferenças de pequenas magnitudes entre tratamentos possam ser comprovadas estatisticamente, recomenda-se parcela de uma linha de 12m de comprimento, com doze repetições, ou duas linhas de 8m de comprimento, com oito repetições. As parcelas consideradas no presente trabalho são sem bordaduras.

cana-de-açúcar; parcela; tamanho e forma; precisão experimental


Uniformity trial with sugar cane was carried out in the Usina da Barra, at Lençóis Paulista, State of São Paulo, Brazil. Based on 1,512 yield data of sugar cane harvested in areas of 3.0m² (basic unit) or 1.5m by 2.0m, 55 different types of plots were simulated. The Smith's soil heterogeneity index, b, was estimated. Its values varied from 0.2643 to 0.6000, depending on the method employed or on the way of grouping blocks, plots and subplots. Using b = 0.6000 in a formula given by Smith, x= (b/(1-b)(K1/K2),an area of 6.0m² would give more information at lower cost. By the maximum curvature method the greatest reduction in the value of coefficient of variation occurs when the plot size varied from 6.0 to 12.0m². Presently, most plots used in sugar cane experiments range from 26.0 to 60.0m²; they are too large in relation to the best size obtained, that is, around 12m². There are practical advantages in using smaller plots and larger number of replications of treatments in an experiment, because the mean variance is inverselly proportional to the number of replications. Reducing the mean variances implies greater chance of detecting significant differences between treatment means. For homogeneous soils, smaller plots (12 to 36m²) may be used efficiently. In heterogeneous soils the plot size has little effect in the magnitude of the index d. The influence of the plot length, in reducing the coefficient of variation, was 2.6 times greater than the plot width. Therefore, in order to separate small differences between treatments, it is recommended the use of plots of one line 12m long with 12 replications per treatment or two lines 8m long with 8 replications. The plots considered in this paper are without guard rows.

sugar cane; plot; plot size; experimental precision


XII. METODOLOGIA E TÉCNICAS EXPERIMENTAIS

Tamanho e forma de parcela experimental para cana-de-açúcar1 1 Parcialmente financiado pela FAPESP.

Plot size and shape for sugar cane experiments

Toshio IgueI; Ademar EspironeloII, 2 2 Com bolsa de pesquisa do CNPq. ; Heitor CantarellaIII, 2; Erseni João NelliIV

ISeção de Técnica Experimental e Cálculo. Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28, 13001 Campinas (SP)

IISeção de Cana-de-Açúcar, IAC

IIISeção de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, IAC

IVUsina Barra Grande, Lençóis Paulista, SP

RESUMO

Realizou-se um ensaio de uniformidade na Usina Barra Grande, em Lençóis Paulista, SP, em 1982, a fim de estudar o tamanho e a forma de parcela para experimento de campo com cana-de-açúcar: simularam-se 55 diferentes tipos de parcela, cuja unidade básica constou de 2m lineares de uma linha de cana espaçada de outra de 1,5m, tomando-se o peso dos colmos de cada unidade básica. A formação de diferentes tamanhos de parcela foi feita pelo agrupamento das unidades básicas adjacentes. Foram determinados os índices de heterogeneidade do solo, b, cujos valores variaram de 0,2843 a 0,6000, dependendo dos métodos utilizados e da maneira de compor os blocos, parcelas e subparcelas. Em solos homogêneos, parcelas menores que 54m2 podem ser utilizadas com maior eficiência na detecção de diferenças entre médias de tratamentos (d). Em solos heterogêneos, a variação do tamanho da parcela pouco influi no valor de d. Pelo método da curvatura máxima, parcelas de 6 a 12m2 proporcionaram a maior diminuição no coeficiente de variação. Considerando uma mesma área experimental, existe grande vantagem em reduzir o tamanho da parcela e aumentar o número de repetições. Reduzindo a área da parcela para 12m2, há condições de aumentar consideravelmente o número de repetições em experimentos com cana-de-açúcar. Isso significa maior possibilidade de detectar diferenças significativas entre as médias dos tratamentos. A influência do comprimento da parcela em reduzir o coeficiente de variação foi de 2,6 vezes maior que a da largura Para que diferenças de pequenas magnitudes entre tratamentos possam ser comprovadas estatisticamente, recomenda-se parcela de uma linha de 12m de comprimento, com doze repetições, ou duas linhas de 8m de comprimento, com oito repetições. As parcelas consideradas no presente trabalho são sem bordaduras.

Termos de Indexação: cana-de-açúcar, parcela, tamanho e forma; precisão experimental.

ABSTRACT

Uniformity trial with sugar cane was carried out in the Usina da Barra, at Lençóis Paulista, State of São Paulo, Brazil. Based on 1,512 yield data of sugar cane harvested in areas of 3.0m2 (basic unit) or 1.5m by 2.0m, 55 different types of plots were simulated. The Smith's soil heterogeneity index, b, was estimated. Its values varied from 0.2643 to 0.6000, depending on the method employed or on the way of grouping blocks, plots and subplots. Using b = 0.6000 in a formula given by Smith, x= (b/(1-b)(K1/K2),an area of 6.0m2 would give more information at lower cost. By the maximum curvature method the greatest reduction in the value of coefficient of variation occurs when the plot size varied from 6.0 to 12.0m2. Presently, most plots used in sugar cane experiments range from 26.0 to 60.0m2; they are too large in relation to the best size obtained, that is, around 12m2. There are practical advantages in using smaller plots and larger number of replications of treatments in an experiment, because the mean variance is inverselly proportional to the number of replications. Reducing the mean variances implies greater chance of detecting significant differences between treatment means. For homogeneous soils, smaller plots (12 to 36m2) may be used efficiently. In heterogeneous soils the plot size has little effect in the magnitude of the index d. The influence of the plot length, in reducing the coefficient of variation, was 2.6 times greater than the plot width. Therefore, in order to separate small differences between treatments, it is recommended the use of plots of one line 12m long with 12 replications per treatment or two lines 8m long with 8 replications. The plots considered in this paper are without guard rows.

Index terms: sugar cane, plot, plot size, experimental precision.

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Recebido para publicação em 18 de janeiro e aceito em 30 de março de 1991.

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  • 1
    Parcialmente financiado pela FAPESP.
  • 2
    Com bolsa de pesquisa do CNPq.
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      19 Nov 2007
    • Data do Fascículo
      1991

    Histórico

    • Aceito
      30 Mar 1991
    • Recebido
      18 Jan 1991
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